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Registro de uma Experiência – Comissão de Direção 2015-2016

REGISTRO DE UMA EXPERIÊNCIA:

PASSAGEM PELA FUNÇÃO NA COMISSÃO DE DIREÇÃO DE UMA ESCOLA

 

Em dezembro de 2014, quando se questionava a manutenção do dispositivo de eleição que prevalecia desde 2001, ficou definida após a eleição a Comissão de Direção que entraria em vigência pelos dois anos seguintes. Foi composta por Gêisa Ferreira, Graça Curi, Maria Augusta Friche, Silvia Myssior. Aceitar a “indicação” era necessário, e em ato, se fez uma aposta.

A experiência, no entanto, se resume não às nomeações, e sim sobre nossa maneira de fazer funcionar a escola, da entrada à saída. Em 2014, de acordo com o dispositivo de eleição, foi uma transferência de trabalho imantada pelo desejo de analista que pôde ratificar a incidência do real na experiência.

De entrada, a questão da “função” de uma Comissão de Direção nos acossava, mas acreditamos hoje poder dizer que é na experiência que ela acontece. Não é dada a priori, e isso valida o dispositivo de eleição que mantém o inusitado, o novo a cada vez. A psicanálise opera a partir do Real. O dispositivo por si só não garante a reprodução de nenhuma experiência. Fazer Escola é construir e sustentar uma comunidade de experiência e trabalho crítico.

Essa passagem pela Comissão de Direção tem nos mostrado a importância de colocar a trabalho os efeitos da parcialidade do saber, desembaraçando o sabor da experiência no campo da intensão/extensão. Seria a Escola esse lugar de franqueamento, onde o desejo do analista extraído da análise de um sujeito sustenta a função tanto na clínica da psicanálise quanto da circulação da psicanálise em suas interlocuções com a cultura?

Em relação à extensão, a Comissão de Direção franqueia o trabalho das comissões e dos membros da escola tendo como norte a ética da psicanálise e os princípios que regem o Aleph, remetendo as decisões para as assembleias dos membros.

Muitas questões de ordem prática se apresentaram de imediato e tiveram que ser encaminhadas. Mas pelo próprio desconhecimento do que seria a função de direção, tivemos delicadeza em tratar as estruturas de nossa escola. Procuramos e fomos procuradas pelas comissões. Cada conversa, cada questão colocada, retornava tangenciando o real em jogo na própria formação do psicanalista. Os efeitos dessa posição (de não ter um roteiro pronto) foram nos dando, a cada vez, a medida de sua eficácia ou de sua equivocação.

Mas alguns dispositivos foram importantes e norteadores nesse trajeto, e mesmo um bordejamento possível, um cuidado para evitar a extinção da experiência e para constituí-la como uma experiência original.

As assembleias permitiram uma comunicação constante e aberta com os membros do Aleph. Os encontros semanais da Comissão de Direção propiciaram confiança entre nós, no trabalho a prosseguir. Lidamos em nosso trabalho com a tríade R.S.I. Há um tratamento a ser dado ao Real, e uma escola de psicanálise precisa contar com ele para sustentar seu enodamento com os outros registros. A referência ao enodamento borromeano dos três registros nos deu o norte. Assim como não há prevalência entre os registros R.S.I., não há hierarquia entre as comissões de trabalho nem entre os membros de cada coordenação, nem entre os membros da escola. As comissões se diferenciam umas das outras de acordo com o lugar que ocupam na escola, mas têm como ponto comum a transferência de trabalho em relação ao Aleph e à escola de psicanálise. A propósito, em que difere uma Comissão de Direção das outras comissões da escola?

A diferença mais óbvia e direta, e talvez a mais “estranha” ao nosso discurso, se refere às tarefas administrativas, pois é importante ressaltar que o Aleph - Escola de Psicanálise, enquanto instituição sem fins lucrativos, obedece às leis que regem seu estatuto e que por sua vez está de acordo com as leis que regem o País. Há, pois, uma representação civil em jogo.

Eis que é chegado o tempo de permutação!  Nesse entretempo, foi elaborado por alguns membros* e aprovado em assembleia, um novo dispositivo de eleição de direção no Aleph - Escola de Psicanálise. Também como no anterior, com o tempo predeterminado: por, no máximo, dois anos.

Dentro dessa nova proposta, foi feito o convite para que a comissão que está deixando a direção apresente um escrito, testemunhando do percurso em sua função, ressaltando questões que têm sido importantes para o funcionamento de uma escola e seu manejo.

Este é o testemunho do trabalho efetuado de 2014 a 2016 na Comissão de Direção do Aleph - Escola de Psicanálise.

No começo está a transferência de trabalho à Escola. Não temos que dar conta, aqui, do que a condiciona. Ela está ali, no começo, mas tangenciar o que ela é: é o caminhar.

Agora, passemos ao tempo de concluir. A oportunidade deste testemunho (pensado pela comissão desde a primeira reunião, quando nos constituímos como Comissão de Direção) se reiterou a partir de certo ponto do trajeto, pois surgiu da necessária conclusão sobre uma experiência. É isso o que decorre da natureza do a posteriori na significância.

Para Lacan, o funcionamento das atividades de uma escola de psicanálise é testemunho de avanços da psicanálise. A questão é o modo como se coloca a relação entre o funcionamento da instituição e dos princípios que ela propaga. A essa relação acrescenta-se um terceiro termo, que é como cada membro se coloca em relação à escola, e isso toca à singularidade de cada um.

Só temos a agradecer a oportunidade deste testemunho.

Gêisa de Carvalho Silva Ferreira
Graça Araujo Curi
Maria Augusta Friche
Silvia Grebler Myssior.

 

* Arlete Campolina, Gêisa Ferreira, Heloisa Godoy, José Eugênio Gomes, Junia Cardoso, Maria Cristina Martins Moura, Maria Inez Figueiredo, Milton Ribeiro Sobrinho